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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Barrett Strong: the Motown hitmaker was modest almost to a fault | Stevie Chick

 Though he was quick to credit others’ contributions, Strong’s songwriting was absolutely critical to the label that remade American pop music


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sexta-feira, 11 de março de 2022

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Simon Phillips & Protocol: 30th Anniversary Tour | Leverkusener 2019


Simon Phillips

A virtuoso jazz, rock, and fusion drummer with numerous studio credits and who also leads his own ambitious sessions.
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40. Leverkusener Jazztage
Germany
November 11, 2019

00:21 - Celtic Run 08:42 - Solitaire 16:26 - You Can't But You Can 24:47 - Circle Seven 37:21 - Moments Of Fortune 48:22 - Midair Decision
Simon Phillips - drums Otmaro Ruiz - keyboards Ernest Tibbs - bass Alex Sill - guitar Jacob Scesney - sax

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Stan Getz Featuring João Gilberto - The Best Of Two Worlds



AllMusic Review by   [-]

This 1976 album by the late saxophonist Stan Getz is a reunion of sorts with Joao Gilberto, the great Brazilian guitarist and singer, and the music of Antonio Carlos Jobim (or Tom Jobim), along with the stylish and nonintrusive arrangements of Oscar Carlos Neves. The trio changed the world in the early 1960s with its Getz/Gilberto albums. With Neves, they almost did it again, but with all of the crap falling down around them in the musical climate of the mid-'70s -- fusion, disco, overblown rock, and the serious decline of jazz -- this disc was criminally overlooked at the time. Joining these four men in their realization of modern bossa and samba are drummers Billy Hart and Grady Tate, percussionists AirtoRay Armando, and Ruben Bassini, bassist Steve Swallow, pianist Albert Dailey, and Heliosoa Buarque de Hollanda singing the English vocals as a fill-in for Astrud Gilberto -- who was not invited to join this session and would have declined if she were. The most beautiful thing about this recording is that Jobim-- whose song forms had reached such a degree of sophistication that he was untouchable -- chose to write all of his lyrics in English (songwriter Gene Lees also wrote many in English). This is something that did not come naturally or effortlessly to Jobim, but sounds as if it did. Jobim's poetry on tracks such as "Waters of March," accompanied by Getz's lushly romantic saxophones and Gilberto's crooning nylon-string guitar, are so sensuous they radiate heat and humidity. Elsewhere, on the Lees/Jobim co-write "Double Rainbow," Gilberto's singing carries the soft bossa into the middle of American jazz phraseology and builds a bridge so airy and flexible it can never be undone. There is also a barn-burning samba in "Falsa Bahiana," which slips and shimmies along the 6/8 line and sweeps itself up in couplets in the solos. In all, this is as fine a bossa album as Getz ever recorded, standing among his finest works, and without a doubt equals his earlier collaborations with Jobim and Gilberto.



A1 Double Rainbow 0:00 A2 Aguas De Março (Waters Of March) 3:34 A3 Ligia 8:16 A4 Falsa Bahiana 13:39 A5 Retrato En Branco E Prieto (Picture In Black And White) 18:45 B1 Izaura (You Know I Just Shouldn't Stay) 22:49 B2 Eu Vim Da Bahia 27:27 B3 Joao Marcello 31:22 B4 E Preciso Perdoar 34:48 B5 Just One Of Those Things 40:04

Arranged By (Musical Arrangements) – Oscar Castro Neves Bass – Clint Houston, Steve Swallow Drums – Billy Hart, Grady Tate Guitar – Joao Gilberto, Oscar Castro Neves Percussion – Airto Moreira, Joao Gilberto, Ray Armando, Ruben Bassini, Sonny Carr Piano – Albert Dailey Vocals (English) – Heloisa (Miucha) Buarque De Hollanda Vocals (Portuguese) – Joao Gilberto Producer – Stan Getz Executive-Producer – Teo Macero Recorded By – Stan Tonkel


sábado, 1 de junho de 2019

Guinga: Roendopinho

Guinga began his musical studies as a self-taught violonista at 13. Later, he would deepen his apprenticeship of classical violão. At 16, he began to write his own compositions and in 1967, he presented… 
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Roendopinho é o primeiro álbum "desacompanhado" de Guinga, lançado em agosto de 2014 pelo selo alemão Acoustic Music Records. O disco é composto inteiramente por músicas do violonista, sendo duas delas parcerias com Aldir Blanc e Thiago Amud. Guinga usa violão Echizen.


____ Faixas 0:01 - 1. Pucciniana (Guinga) 4:23 - 2. Choro breve nº 1 (Guinga) 6:36 - 3. Roendopinho (Guinga) 9:37 - 4. Anjo de candura (Guinga) 11:50 - 5. Picotado (Guinga) 14:05 - 6. Igreja da Penha (Carta de pedra) (Guinga) 16:44 - 7. Cheio de dedos (Guinga) 19:10 - 8. Di maior (Guinga) 22:17 - 9. Constance nº 2 (Guinga) 26:14 - 10. Unha e carne (Guinga) 30:01 - 11. Sargento Escobar (Guinga) 32:37 - 12. Funeral de Billie Holliday (Guinga) 35:22 - 13. Cambono (Guinga/Thiago Amud) 39:17 - 14. Lendas brasileiras (Guinga/Aldir Blanc) 43:41 -15. Ellingtoniana (Guinga)



sábado, 9 de fevereiro de 2019

Democracy Dies in Darkness

Because knowing empowers us.
Knowing helps us decide. Knowing keeps us free.
For more than 140 years The Washington Post has been a key part of democracy,
holding government accountable and safeguarding the interests of readers.





 


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

BBC Proms 2017 | Beneath the Underdog: Charles Mingus Revisited








BBC Proms 2017 - Prom 53
Beneath the Underdog: Charles Mingus Revisited
Following their sell-out 2016 Quincy Jones Prom, Jules Buckley and his Metropole Orkest return to celebrate the legendary composer, bandleader and bass player Charles Mingus, featuring artists Shabaka Hutchings, Christian Scott and Kandace Springs. A giant of jazz, Charles Mingus (1922–79) combined the classic style of Duke Ellington and Jelly Roll Morton with the radical spirit of black music of the 1950s, 1960s and 1970s, and has influenced artists from Joni Mitchell and Elvis Costello to Debbie Harry. Following sell-out Quincy Jones and Jamie Cullum Proms last year, Jules Buckley returns – with his Metropole Orkest – to celebrate the life and music of this legendary composer, bandleader and bass-player. The Prom features Mingus favourites including ‘Better Git It in Your Soul’, ‘Moanin’’ and ‘Goodbye Pork Pie Hat’, performed by a starry line-up of artists. Featuring: Shabaka Hutchings - saxophones Leo Pellegrino (Leo P) - baritone saxophone Christian Scott - trumpet Bart van Lier - trombone Kandace Springs - singer Metropole Orkest Jules Buckley - conductor Broadcast on BBC Four, 25 August 2017



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Macy Gray | Heineken Jazzaldia 2017

Soul revivalist with a gritty delivery somewhere between Billie Holiday and Tina Turner. 
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Macy Gray
Heineken Jazzaldia 2017



Macy Gray vocals William Wesson keyboards Jonathan Jackson keyboards, sax Caleb Speir bass Tamir Barzilay drums



01. Why Didn´t You Call Me 02. Do Something 03. Lucy 04. Caligula 05. Creep 06. Psycho 07. She Ain´t Right 08. Sweet Baby 09. Me With You 10. Sexual Revolution 11. Beauty in the World 12. I Try 13. Everything´s Gonna Be Alright 14. My Way


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Márcia






No Ar

Adotando o modelo ao vivo em estúdio, a Antena 3 em associação com a RTP2, produziram o programa No Ar. 


  

domingo, 8 de novembro de 2015

Jornalismo atual numa imagem


« Uma master class sobre o jornalismo atual numa imagem. »

Paulo Querido, no Facebook



Ambos recebem… MAS...

Tudo é uma questão de como se é dada a notícia… 
 


domingo, 14 de setembro de 2014

Great Britain or Little England?

















“Great Britain or Little England”?

A Escócia vê na Europa o seu refúgio político e económico. Professa um “nacionalismo europeu” precisamente quando a União Europeia começa a não estar em condições de garantir esse papel.

A questão é simples: qual o lugar do Reino Unido no mundo no caso de a Escócia decidir pela independência? A resposta, à primeira vista, também não parece muito complicada. A Escócia representa apenas 8% da população britânica e 9% do seu PIB, embora tenha uma dimensão geográfica muito superior. Começa a complicar-se quando se olha para a eventual separação da Escócia do ponto de vista simbólico e do ponto de vista político. Sem a Escócia, que representa quase um terço do território britânico, o que “resta” do Reino Unido parece demasiado pequeno. Mas este é o menor dos problemas.
Politicamente, a quinta (ou sexta, alterando com a França) economia da mundo que é a segunda potência militar do Ocidente e a quarta a nível mundial, que é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, que tem um arsenal nuclear não despiciendo e que já foi o maior império do mundo, só dificilmente é compatível com esta ideia de desintegração. A questão parece ser demasiado séria para justificar o comportamento das elites londrinas, todos os partidos incluídos, que nunca acreditaram na possibilidade de uma vitória do “sim”, preferindo exibir alguma complacência do que um debate político sério. Quando se deram conta dos resultados das últimas sondagens entraram em pânico.
Da mesma forma, as capitais europeias também se deixaram surpreender. Olham agora com preocupação para a separação da Escócia como um incentivo poderoso para outras situações semelhantes e ainda não pensaram o que fazer com um novo país que, estando dentro da União Europeia, terá que sair para entrar de novo. Os tratados não contemplam este cenário de secessão, considerado como altamente improvável. Na sexta-feira quase dois milhões de catalães ocuparam as ruas de Barcelona com um entusiasmo redobrado, na perspectiva de um “sim” em Edimburgo. O País Basco poderia vir a seguir. A Flandres ficaria confortada com um resultado que vai ao encontro das suas aspirações. Até na Baviera já nasceu um partido que quer a independência do Land mais rico da Alemanha e também mais céptico em relação à Europa. Alguém dizia, num debate recente, que “as fronteiras estão a explodir em toda na Europa”. Num texto publicado no passado dia 12, Charles Grant, o director do Center for European Reform de Londres, resume o que está em causa: “Um 'sim' não iria apenas abalar profundamente a política britânica, aumentaria a possibilidade de ver o Reino Unido abandonar a Europa, alimentaria o separatismo noutros países europeus e diminuiria o estatuto global do que restasse da Grã-Bretanha.”
Estas são as consequências que toda a gente percebe. A questão é ainda mais dramática quando a independência da Escócia encontra na Europa um dos seus argumentos mais poderosos, ao mesmo tempo que o Reino Unido, levado por um caminho que pode não ter regresso, se prepara para referendar a sua eventual saída.
Foi uma espécie de “europeísmo ideológico” que alimentou a ilusão de que seria possível reduzir a importância real e simbólica dos Estados-membros, esvaziando os seus poderes para a estrutura supranacional e para as realidades regionais. Foi esta ideia, que dominou o pensamento das elites europeias até meados da década passada, que ajudou a criar as condições para a emergência de uma espécie de nacionalismo, que não é contra a Europa, como a Frente Nacional francesa, mas se apresenta como um “nacionalismo europeu”, permitindo às velhas nações encontrar na esfera supranacional uma alternativa ao Estado de que fazem parte. Esta Europa cada vez mais integrada tornava desnecessárias as reivindicações nacionalistas na Catalunha como na Escócia, na Flandres ou na Padania. Aliás, a ideia pareceria corresponder às grandes transformações da economia mundial que se seguiram à Guerra Fria. Os teóricos da globalização escreveram longamente sobre a diluição dos Estados-nação, cuja soberania estava a ser enfraquecida pelo poder global dos mercados. Viam na União Europeia o modelo mais perfeito para articular os diferentes níveis em que a soberania se passava a exercer.
Tudo isto se revelou como efémero. A Escócia vê na Europa o seu refúgio político e económico. Professa um “nacionalismo europeu” precisamente quando a União Europeia começa a não estar em condições de garantir esse papel. A crise acelerou o caminho de regresso do verdadeiro poder europeu aos Estados-membros, muito mais resistentes do que se chegou a pensar. A Escócia só muito dificilmente encontrará nesta Europa a boa alternativa ao Reino Unido. Ao “europeísmo ideológico” em acelerado declínio, os conservadores britânicos não têm qualquer alternativa a não ser o seu o seu próprio "antieuropeísmo ideológico”.
David Cameron arrisca-se a ficar na História como o político que perdeu a Escócia e que perdeu a Europa. A sua política externa é avaliada pela maioria dos comentadores britânicos como um “desastre”. Conseguiu de uma assentada diminuir a capacidade de influência de Londres em Bruxelas e fragilizar a sua relação com Washington, a pedra angular da política externa britânica desde a II Guerra. Ficou sem qualquer margem de manobra ao deixar-se aprisionar pelos eurocépticos do seu próprio partido, por sua vez radicalizados pelo êxito do UKIP (que ganhou as europeias). Se o sim vencer,Londres e Edimburgo entrarão numa longa e complexa negociação, que levantará muitos dos problemas que os independentistas esconderam: da moeda à força nuclear britânica, passando pela repartição da dívida ou à partilha do petróleo. Bruxelas acompanhará a par e passo esta negociação antes de emitir qualquer opinião sobre a adesão da Escócia à União Europeia que, convém lembrar, é decidida por unanimidade. Mas mesmo que o “não” salve Cameron de mais uma humilhação, nada mais ficará na mesma nem em Londres nem em Bruxelas. “O mundo veria um país que desempenha um papel relevante no palco mundial desaparecer por um período de dois ou três anos”, diz Lord Roberston, escocês e antigo secretário-geral da NATO. Para além da incerteza, que se prolongará até 2017, sobre o seu destino europeu. “Não há nada de esplêndido neste isolacionismo” britânico, escreve Philip Stefens no Financial Times. “A forma como estamos a deslizar para a irrelevância transformou-se num embaraço nacional”, diz Kirsty McNeill, investigadora da Fabian Society.
Também a Europa não será a mesma se o Reino Unido sair. Na quinta-feira se saberá qual o caminho: “Great Britain or Little England”. Com uma vantagem: ninguém disparará um tiro.





quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Emídio Rangel

Emídio Rangel
 foto Global Imagens/Natacha Cardoso

Morreu Emídio Rangel, fundador da TSF
Emídio Rangel, fundador da TSF e antigo diretor-geral da SIC e da RTP, morreu esta quarta-feira, aos 66 anos, na sequência de um tratamento ao fígado que fez com que os órgãos entrassem em falência.

 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Leituras




A grande potência
por ADRIANO MOREIRA|  Diário de Notícias

Um dos conceitos que orientaram a política, ou a imagem possível que dela faziam as populações, era o da hierarquia das potências. Numa época sem organização formal das interligações mundiais dos poderes, a análise destacava o poder britânico, sem rival marítimo de relevo, ou analisava o relativo poder terrestre da França e das suas potências rivais. Quando da fundação da ONU, mais baseados na ilusão da vitória na guerra que apenas não tinham perdido do que na realidade dos poderes que restavam, procederam à distinção dos mais iguais com a atribuição do veto no Conselho de Segurança. De facto, a Europa, distinguida com dois nobilitados Estados, a França e a Inglaterra, nessa hierarquia, verifica que são os BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) que se destacam no imaginário da opinião mundial, inquieta em busca de futuro, económico e financeiro tranquilos, embora a democracia prometida com o nome da paz se veja abalada na Rússia também vencedora da guerra e com direito de veto, a rua a pretender a mudança anárquica por áreas durante longos anos insuspeitos de atenderem a ordem habitual, como acontece na Turquia candidata à União Europeia, no Egito subitamente afastado da veneração pelas forças armadas, e sobretudo com um cordão muçulmano fazendo imaginar que o cemitério de emigrantes em que se transformou o Mediterrâneo poderá discutir pelas armas a harmonia entre o Alcorão e a mudança de regimes políticos.
Neste panorama, no Oriente é a China que segue tranquilamente a marcha para reunir o poder económico e financeiro com a clarificação de que o Pacífico tem mais do que uma autoridade com poder militar. Tudo visto, e não obstante os desaires e até desastres, pelo menos no que respeita aos ocidentais, são os EUA que ainda podem assumir-se como a potência indispensável, reunindo todos os interesses nacionais que convergem na fórmula que exige aos cidadãos manter o interesse permanente do país, interesse de conteúdo variável. Não se trata de ser realmente a casa no alto da colina para onde todos os olhares convergem, como se liderasse os destinos do mundo, que de resto não deixa ver com clareza que destino o espera em face da real anarquia da ordem mundial, dos abusos contra a natureza e da sofisticação crescente dos meios que permitem recorrer ao desafio final do combate armado, com a fórmula terrorista abençoando-se com a submissão a valores religiosos incluídos nas suas declarações programáticas.
É nestas circunstâncias que a União Europeia, sem conceito estratégico assumido e desencantada no labirinto de arranjos que dispensaram as regularidades dos tratados, teria vantagem em promover o regresso aos princípios, entre os quais o de impedir a evolução para qualquer forma de diretório mais ou menos discreto, e de má recordação em qualquer das formas, e prestar atenção e esforços no sentido de não consentir nas fragilidades da solidariedade transatlântica, para cuja solidez deveria ser suficiente a história e memória de duas guerras, hoje chamadas ambas mundiais. Tem sido recordada, em cerimónias variadas e em livros notáveis de investigação histórica, o que foi a então chamada Grande Guerra de 1914-1918, e que passou a chamar-se mundial para acompanhar a marca da brutalidade da segunda. É evidente que a capacidade de segurança e defesa europeias, autónomas, ambicionadas pelo Tratado de Lisboa, ainda que mereçam alguma atenção os meios ao dispor da Inglaterra e da França, não chegam para completar os esforços variáveis dos desatentos membros da União em crise. Para bem do geral e da recuperação de uma ordem mundial tranquilizante, parece cada vez mais evidente que os EUA não podem ser dispensados de uma função de equilíbrio que permita orientar em paz o globalismo, depois de o ter conseguido racionalizar. O que implica não perder a experiência de que o Atlântico não é um mar de separação dos ocidentais.

domingo, 20 de julho de 2014

Leituras









ENTREVISTA

"Seria um privilégio para o país poder ter o engenheiro António Guterres como Presidente da República"

António Costa diz que quer devolver o protagonismo à política e aos valores. Garante que tem os militantes do PS com ele, rejeita fazer comparações com o actual secretário-geral, e garante que, se for líder, Seguro tem lugar nas listas para as legislativas.


Aos 53 anos, António Costa é candidato a candidato a primeiro-ministro pelo PS nas primárias de 28 de Setembro. Presidente da Câmara de Lisboa, já foi deputado, eurodeputado, secretário de Estado e ministro dos Assuntos Parlamentares e também ministro da Administração Interna e da Justiça.

Tem dito que não vai fazer promessas. Mas se não tiver propostas concretas como quer que confiem em si? Quando apresenta o seu programa?
Temos de colocar este processo em perspectiva. É uma caminhada que tem uma primeira etapa a 28 de Setembro e depois tem uma etapa decisiva, chamada eleições legislativas. Apresentarei o programa de Governo antes das legislativas e depois do Congresso do PS. Porque, aliás, há que aproveitar muito do trabalho que foi feito. Há que contar com o contributo de todos aqueles que me apoiam e os que não apoiam neste momento. Este é o momento de apresentar uma estratégia política, linhas orientação geral e a visão que tenho para o país.
Mas tem de ter um documento.
No âmbito da agenda da década tenho definido bem os domínios de acção. Dia 26 vou organizar uma convenção nacional em Aveiro em torno de diferentes temas da agenda da década e que devem enformar as prioridades que devem marcar a elaboração de um programa de governo e uma alternativa do PS.
O seu discurso aposta muito no regresso da política, contra um discurso tecnocrático.
Essa é uma opção política de base. Até porque um dos problemas que nós temos hoje é perceber que a técnica é um instrumento. Agora aquilo que comanda, na qual assenta a escolha democrática, é a escolha política.
Faz um discurso político, que procura devolver esperança e confiança as pessoas e que procura mobilizar com base no carisma, mas depois falta o resto.
É evidente que há uma componente de liderança que é fundamental. Na escolha de uma liderança há que ter e conta a capacidade de liderança. E um dos requisitos de liderança é o incutir energia, força inspiradora e de mobilização de quem nos dirige. É uma opção política de fundo hoje repor a política no comando dos destinos do país. E a política antes de assentar em opções técnicas, assenta na escolha de valores. A vida em sociedade não é simplesmente vivermos lado a lado, uns com os outros. É uma partilha de valores e os laços sociais que entre nós estabelecemos.
E a técnica?
Um dos grandes problemas que estamos a viver resulta do facto de a direita ter construído esta ilusão de que as opções políticas que lhe estão subjacentes resultam de meras necessidades ou determinismos técnicos. Ora, é falso. Não podemos aceitar como determinismo técnico aquilo que assenta em opções políticas. E aquilo que reforça a democracia é a escolha democrática ser feita em torno de políticas e em nome de valores. Se há coisa que se perdeu na sociedade portuguesa foi a desvalorização dos valores e a desvalorização da política. Se me pergunta a mim se a técnica é necessária. Com certeza. Devo ser das pessoas que há mais anos consecutivos exerço funções executivas. E se as exerço é porque tenho bem a noção de que gerir o concreto não se faz só com base em valores. Não fui daquelas pessoas de fazer carreira política escondido na sexta fila da bancada do Parlamento. Desde há muitos anos que estou na primeira fila. Por isso dispenso lições sobre o exercício da acção executiva e não desvalorizo as limitações da técnica, nem acho que o voluntarismo político possa sobrepor-se.
Não corre assim um risco de fazer uma campanha populista?
Mas há quantos anos é que me conhece? Alguma vez me viu fazer campanha com base no populismo. Sabe que eu tenho uma enorme vantagem em relação a outras pessoas. Posso oferecer o meu passado como garantia. Quando eu era ministro da Justiça, lembrar-se-á, houve uma moda de criminalização da delinquência juvenil e de por todas as crianças criminosas na cadeia e quem resistiu a essa ofensiva populista e defendeu um modelo de prevenção e de intervenção sobre a delinquência juvenil, que deu, aliás, frutos ,fui eu. Quando era muito fácil fazer as campanhas populistas quanto à imigração, houve muito pouca gente a levantar a voz. Eu era ministro da Administração Interna quando tivemos a mais moderna lei da nacionalidade e a mais moderna lei de entrada e saída de imigrantes. Não preciso de prometer no futuro. O meu passado é garantia suficiente de que comigo não há tentações populistas.
Tem dito coisas que o actual secretário-geral também diz. Onde se nota a diferença?
Desculpará mas quem tem que fazer a distinção não sou eu, é quem vai votar. E até agora ainda não vi ninguém confundido sobre qual deve ser a escolha entre um e outro.
Existe alguma diferença programática entre os dois?
Vou dizer uma coisa que acho que é preciso registar para compreender porque há perguntas a que eu não respondo. Eu digo o que vou fazer, mas não o que me diferencia do meu secretário-geral. Para mim, este debate não é entre adversários, os adversários do PS estão fora do partido. Isto é um debate entre dois camaradas, que devem, cada um por si, expor as suas ideias, convencer os camaradas e os simpatizantes do PS das suas qualidades, das suas propostas e porque é a melhor opção. Eu não direi nada sobre o actual secretário-geral do PS que o diminua se ele no futuro vier a ganhar. Como tenho a esperança que ele tenha sentido de partido para perceber que não deve prosseguir a campanha de ataque pessoal que tem vindo a fazer. Estou aqui para afirmar uma alternativa ao Governo do PSD e CDS. E afirmar qual é a alternativa política que acho mais relevante, que melhor serve os interesses do país e melhor serve o futuro dos portugueses. Quanto à diferenciação entre os dois, confio suficientemente nos eleitores militantes do PS e simpatizantes do PS para destrinçarem as propostas, as pessoas, as opções. E respeitarei esse resultado. Agora não contem comigo para andarem a fazer um campeonato entre mim e um camarada meu.
Não é um campeonato...
Já encontrou alguém na rua que nos confundisse?
Não.
Ah, bom.
A questão não era essa.
Essa questão é daquelas que só ocupa mesmo os jornalistas. Sem ser os jornalistas ainda não vi ninguém com essa dúvida do que distingue um e outro.
Tem sido acusado de estar cercado de tralha socrática, mas o senhor é, por assim dizer, o primeiro socrático. Antes de José Sócrates ser socrático já o senhor era. Ajudou-o a decidir ser candidato à liderança do PS. Como vê esta acusação?
Vejo com muita tranquilidade. Como me filiei no PS aos 14 anos, já estou habituado a ser qualificado de toda a tralha. Quando caiu o Governo de António Guterres era a tralha guterrista, depois quando Ferro Rodrigues saiu era tralha ferrista, agora é tralha socrática. Bom, hei-de ser um dia da tralha costista. Sabe, isso é daqueles slogans... Nós temos de viver no PS com todo o nosso passado com aquilo de que mais gostamos, com aquilo de que menos gostamos, com aquilo que nos devemos orgulhar, com aquilo que não nos devemos orgulhar, mas assumir o passado pelo conjunto. Porque quem se põe a seleccionar o passado às postas, acaba sempre por não conseguir representar o conjunto do partido.
É também acusado de só ter as elites do partido e Lisboa. É uma versão PS do elitista, sulista e liberal do PSD?
É um slogan produzido por essas agências de comunicação que foram contratados como mercenários para fazerem as campanhas contra mim.
Sente-se acompanhado pelos militantes?
Se me sinto acompanhado pelos militantes? Sinto-me acompanhado pela esmagadora maioria dos militantes. Não tenho aliás a menor das dúvidas que a vontade da esmagadora maioria do PS era que eu me disponibiliza-se para assumir a liderança, nem tenho a menor das dúvidas em como os meus camaradas estão satisfeitos e revigorados com esta minha disponibilização.
Se for líder do PS convida António José Seguro para as listas eleitorais?
Não vejo porque não há-de ter lugar nas listas do PS.
Se for primeiro-ministro e com o PSD com um novo presidente, que não Passos Coelho, acredita que é possível fazer entendimentos de governação com o PSD?
Tenho dito e repetido, que o país precisa de compromissos políticos porque a democracia é o regime do compromisso políticos e sociais. Por isso, tenho insistido numa agenda para a década, que deve procurar reunir um compromisso político generalizado e a concertação social estratégica. Se o que me está a perguntar é que soluções de Governo. A solução que naturalmente desejo é um Governo de maioria absoluta do PS. E entendo que não é um Governo autossuficiente. Não deve ser o facto de haver maioria absoluta, que deve privar o diálogo com todos. O erro da anterior governação socialista foi não ter aproveitado a maioria absoluta para dar um salto qualitativa no diálogo político em Portugal. Esse diálogo deve existir e é necessário existir. E, como tem sido a minha posição, não aceito que haja qualquer partido político com representação parlamentar que deva estar excluído de qualquer solução de Governo. Agora a experiência também me ensinou que não basta ter a porta aberta para que o PCP e o BE estejam disponíveis para assumir responsabilidades governativas. Mas, por mim, como sempre fiz na vida, a porta estará aberta, com a mesma disponibilidade, a mesma franqueza e a mesma clareza com que o fiz no passado. Agora, com o actual PSD não é possível nenhum entendimento.
Mas com uma nova direcção do PSD, após legislativas?
Se o PSD tiver uma nova direcção, isso é um contributo político da maior importância para a vida democrática. Mas eu diálogo com todos. Só que uma coisa é dialogar com todos e outra coisa é dialogar para quê? Para construir uma agenda para a década, todos são necessários. Se é para uma reforma em particular, pode falar-se com todos e fazer um acordo específico. Uma solução de Governo, isso não pode ser com todos.
Acredita que pode levar o PCP a entendimentos em questões específicas relacionadas com a manutenção do Estado Providência e o Trabalho?
Tenho essa vontade e a vontade reforça a esperança. Tenho aprendido ao longo da vida que com o PCP é possível ter graus de relacionamento muito diverso. E mesmo quando formalmente não é possível um entendimento, muitas vezes há entendimento, para além do desentendimento. A falta de entendimento com o PCP nunca resultou da minha indisponibilidade, mas da falta de disponibilidade do PCP.
Como vê a disponibilidade de Ana Drago e de Daniel Oliveira de se aproximarem do PS?
Com francamente positiva. Uma das questões que é necessário resolver de uma vez por todas no sistema partidário português é esta assimetria de haver soluções fáceis de Governo à direita e difíceis à esquerda. Não é possível que parte da esquerda considere que deve ser apenas voz de protesto e nunca a voz da solução para os problemas do país.
A disseminação de tendências à esquerda, é uma oportunidade que tem de ser trabalhada mais seriamente?
Resulta em grande parte da incapacidade do PS de corporizar essa enorme maioria social de oposição ao Governo e que tem de ser representada pelo PS. Essa vontade é que tem sido expressa nos vários apelos a que eu assumisse a minha disponibilidade.
Qual o passo que tem que ser dado pelo PS?
Há uma coisa fundamental que é o PS ser claro de que não pensa sobre a origem e a natureza desta crise o mesmo que a direita pensa. Isso é meio caminho andado para se perceber que o PS tem uma solução para esta crise diferente da que a direita tem. Uma das coisas que tem limitado muito a capacidade do PS de corporizar esta maioria que anseia ser alternativa, é ter deixado criar um excessivo equivoco que o que o distinguia em relação à política do Governo é só uma questão de ritmo e de dose. Ora o problema é que não é uma questão de ritmo nem de dose. É que preciso um outro caminho e bem diferente.
As legislativas devem ser antecipadas, até por causa do Orçamento do Estado?
Há um consenso grande para reajustar os calendários eleitorais ao calendário orçamental e dos semestres europeus. Portanto, que as legislativas passem a ser Abril-Maio. Ainda que tecnicamente se tenha que recorrer à dissolução, deve ser visto como um ajustamento de calendário.
Como vê a candidatura de António Guterres a Presidente da República?
Acho que seria um privilégio para o país poder ter o engenheiro António Guterres como Presidente da República.
Tem falado com o engenheiro António Guterres?
Falamos bastantes vezes.
Sobre este assunto também?
Especificamente sobre esse assunto não.
Mas é o melhor candidato que a esquerda poderia ter?
Se tivesse que escolher, creio que era seguramente o melhor que a esquerda poderia ter.



Quando as tragédias nos são indiferentes

Com a tragédia do voo da Malaysia Airlines, o conflito ucraniano mudou de natureza. Deixar andar tornou-se impossível.

1. O Iraque está já em estilhaços, com consequências profundas para a região. A guerra na Síria soma-se em vítimas e em refugiados, numa escala assustadora. As negociações com o Irão levaram as partes a aceitar um prolongamento de quatro meses para conseguir um acordo.
O eterno conflito israelo-palestiniano, na sua versão actual, começa a ser cansativo, sobretudo porque teima em obedecer a uma lógica que perdeu qualquer razão de ser. Enquanto não acabar o macabro princípio do “dente por dente, olho por olho”, ninguém vai chegar a parte nenhuma. Ontem, como todos os dias, mais um atentado terrorista no Iraque matou algumas dezenas de pessoas. E ontem, como todos os dias, o regime sírio matou mais umas centenas. O balanço quotidiano das vítimas já deixou de ser notícia.
Finalmente, com a tragédia do voo da Malaysia Airlines, o conflito ucraniano mudou de natureza. Deixar andar tornou-se impossível. O problema é que a via que Putin escolheu de confronto com o Ocidente tornou mais visível a ausência de estratégia europeia face a Moscovo, mesmo que, até agora, tenha acompanhado os Estados Unidos, mesmo que sempre um pouco mais atrás. Putin ainda não conseguiu, como esperava, dividir a aliança transatlântica. Deixou-se isolar na cena internacional, como se viu na sua recente digressão pela América Latina. Tem na mão a chave do conflito: ou uma fuga para a frente ou a abertura para negociações realmente sérias. E tudo isto se passa em território europeu.
2. A Europa está rodeada de conflitos por todos os lados. A relativa ausência americana deixa ainda mais a nu a sua dificuldade em ter uma acção externa coerente. Mesmo assim, deu-se ao luxo de fracassar na sua primeira tentativa de preencher os lugares de topo das instituições europeias na quinta-feira passada, incluindo o de chefe da Diplomacia europeia. Não é um bom sinal. Na quinta-feira, num debate organizado pelo Movimento Europeu, António Vitorino começou a sua intervenção com uma “má notícia”: o “impasse no Conselho Europeu”. E outra boa: a escolha de Juncker para presidir à Comissão. Apontou a questão fundamental: a crise mudou os equilíbrios entre as instituições e entre os Estados, criando uma “nova normalidade” europeia, que é preciso agora corrigir, recuperando o papel da Comissão. Mas também disse que a Europa se tem de reformar urgentemente e que, para sermos totalmente honestos, algumas das exigências do Reino Unido (ou da Holanda), independentemente das suas intenções políticas, fazem sentido. Por exemplo, que a Europa deve ter um conjunto de grandes prioridades para o futuro, e não uma “árvore de Natal” onde cada um é livre de colocar o seu enfeite. E que o crescimento tem de ser, necessariamente, uma delas. Pascal Lamy, o francês que dirigiu a OMC é o presidente honorário da “Notre Europe – Institut Jaques Delors”, da qual Vitorino é o presidente executivo, veio a Lisboa dizer basicamente a mesma coisa. Há ideias mas é preciso considerá-las e debatê-las. Vitorino reconhece que recuperar a influência da Comissão na definição da agenda política é o grande desafio de Juncker. O recém-eleito presidente não está a ter das capitais a cooperação necessária para conseguir levar a cabo essa tarefa, afastando o risco de fazer da Comissão uma das vítimas colaterais desta crise. O antigo comissário português anda a avisar há já muito tempo que a Comissão, se escolhida apenas segundo o critério político do PE (e não através de uma negociação com o Conselho Europeu) poderia vir a revelar-se um problema: seria uma Comissão prisioneira de um “sistema de Assembleia”, sem a margem de manobra de que precisa.
3. Na semana passada, algumas peripécias deram-lhe razão. Ter instituições europeias com um equilíbrio entre homens e mulheres é, em si mesmo, uma coisa boa. Mas não a forma como Martin Schulz, o presidente do PE, a colocou, ameaçando chumbar (ou seja, não investir) a nova Comissão se não houver pelo menos nove mulheres. O mesmo Schulz também disse que o comissário escolhido pelo Reino Unido (Lord Hill) corria o risco de ser “chumbado” pelos deputados por excesso de eurocepticismo. Alguém lhe deve ter dito que era uma declaração politicamente pouco ajuizada. No dia seguinte, corrigiu o tiro, dizendo que alguns amigos lhe tinham explicado que Lord Hill até era, afinal, uma pessoa sensata, no quadro político britânico. Não é a primeira vez que o PE age em mood “politicamente correcto”. Na primeira Comissão Barroso, os deputados vetaram o nome do Comissário Italiano, figura conservadora e respeitável (duas coisas que se podem conjugar) porque considerava a homossexualidade um crime.
Enfim, para coroar tudo isto, a cimeira europeia de quinta-feira não resolveu nada sobre as nomeações, não porque seja uma tarefa fácil, mas porque ninguém quis ceder a ninguém. Vamos ver o que acontece até dia 30 de Agosto e também como é que Juncker vai finalizar a sua Comissão neste quadro de conflito. Mas as previsões não são as melhores, justamente num momento em que a Europa se prepara para fechar um ciclo de crise e abrir outro que consiga inspirar alguma esperança.
4. Muita gente achou estranho que Maria João Rodrigues apresentasse publicamente a sua candidatura a comissária portuguesa. É um comportamento que está nos antípodas dos nossos hábitos políticos. Preferimos ficar caladinhos, à espera que as negociações de bastidores nos favoreçam e jogando mais na filiação política do que nas competências. Não estamos habituados a lutar por lugares a partir do CV e das propostas que apresentamos. Mas isto é comum em muitas democracias ocidentais, sobretudo no mundo anglo-saxónico e, como é óbvio, permite escolhas muito mais transparentes. Maria João Rodrigues será, sem grande dúvida, uma das pessoas que mais acompanha e mais trabalha as questões europeias. Foi eleita eurodeputada pelo PS, já foi ministra de Guterres e é a “mãe” da estratégia de Lisboa que, mal ou bem, representou uma viragem na forma como a Europa estava, naquela altura, a olhar para o mundo. Portugal não está numa situação de grande “prestígio” em Bruxelas por ser, como eles dizem (de forma aliás muito irritante) “um país sob programa”. Barroso fez dois mandatos como presidente da Comissão. Precisa de reforçar a sua presença em Bruxelas, porque a maioria dos seus problemas é lá que se resolvem. Convinha-lhe um nome forte para tentar não ficar com uma pasta irrelevante. Há certamente outros bons candidatos (Juncker, como sabemos, pediu a Passos Coelho uma mulher e o primeiro-ministro já testou com ele vários nomes). O silêncio que pesa sobre a escolha não é de bom augúrio. Era preferível um debate aberto com as vantagens e desvantagens de cada nome. Mas isso seria pedir muito.
Vitorino é a prova viva de que a competência conta. Quando chegou a Bruxelas coube-lhe uma pasta que os seus pares ainda olhavam como irrelevante: Justiça e Assuntos Internos. O 11 de Setembro fê-la muito mais importante. Durante o seu mandato foi sempre considerado um dos melhores comissários. Ainda hoje a sua presença é requisitada como imensa frequência. Cá está um bom exemplo para uma escolha avisada do primeiro-ministro.





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