sábado, 2 de junho de 2012

Joelho

Maria Teresa Horta




Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.

2 comentários:

  1. é interessante esta questão de ser uma mulher a fazer estes versos, pois poderiam ser feitos por um homem. Claro que a poesia não tem género, mas mesmo assim haverá algum paralelismo com as Cantigas de Amigo neste particular? Sabe alguma coisa disso? Já não é a 1ª vez que penso nisso qd aqui leio os poemas de Maria Teresa Horta, como sou uma ignorante na matéria gostava de saber. Obrigada

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  2. Boa tarde António!
    É sempre muito bom reler os poemas de Maria Teresa Horta.Gosto deste, em particular.
    Beijo e uma ótima semana pra ti.

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