quinta-feira, 18 de abril de 2013

Leituras

    • Mário Soares, Um país paralisado:
      ‘O Governo tem de fazer o que deve: ter vergonha na cara e demitir-se, uma vez que tem o Povo todo contra ele. Não é, ao contrário do que disse o Presidente da República, um Governo legítimo. Deixou de ser. Compreenda, enquanto é tempo, que não se pode governar contra a vontade persistente do Povo.’
    • Rui Pereira, Morrer em Boston
    • Ferreira Fernandes, Desculpem qualquer coisinha
    • Alexandre Abreu, Diáfano
     
     
    • José Pacheco Pereira, Os enormes estragos feitos ao PSD (2) [hoje na Sábado]:
      ‘Faça-se a justiça de dizer que as raízes dessa destruição [do PSD] já vêm de antes. Cavaco, Barroso, Santana Lopes e Menezes ajudaram muito a um processo simultâneo de aparelhização e descaracterização política do partido, que de um modo geral actuam em conjunto. Perda de identidade político-ideológica, de modo a abrir caminho a todas as manobras de sobrevivência do aparelho e às suas carreiras, é um processo que caminha a par e passo.

      A tentação que Loureiro passou a Cavaco de um discurso de back to basics, de Deus, Pátria e Família, o culto de personalidade pessoal do "menino guerreiro", a displicência de Barroso e Lopes com um PSD classificado como de "direita" são precursores do processo de revisão constitucional de Teixeira Pinto/Passos Coelho, e do abandono flagrante de toda a tradição social-democrata no PSD de Passos.

      Tudo se abandonou: da noção metapolítica da "dignidade humana" ao valor ético do trabalho, substituídos por um discurso economês e uma prática de voltar costas à classe média, esteio do partido, e ao seu core de self-made men, entregues ao desemprego estrutural, à destruição do tecido das pequenas e médias empresas e a todos os mecanismos que deveriam garantir, na tradição social-democrata, a mobilidade social para cima e não o empobrecimento para baixo.

      Se se tratasse apenas de identificar um processo tido como inevitável, ou uma impotência de momento, não se admitiria, mas compreender-se-ia. Mas não, este "ajustamento" é visto como uma simultânea punição da classe média e um instrumento de "libertação" da sociedade que nada mais é senão uma co-gestão governativa com a troika e a banca, cuja única racionalidade é a interiorização dos interesses dos credores.


      Do programa genético do PSD, ou da sua tradição com origem em Sá Carneiro, já quase não há nada no topo do partido. Estamos no período do "programa da troika é o programa do PSD", como disse Passos.’
       





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