• Passagem do editorial da
edição de hoje do Público:
- ‘O "monstro" de que o Presidente Cavaco Silva tanto falou no seu tempo de
pousio político começou a ser construído na ressaca da última passagem do FMI
por Portugal, alimentou-se com Cavaco, prosperou com António Guterres e
manteve-se voraz nesses anos em que Miguel Relvas era secretário de Estado da
Administração Local do Governo de Durão Barroso e Pedro Passos Coelho gestor de
empresas especialmente vocacionadas para explorar as oportunidades dos negócios
públicos, como foi o caso da Tecnoforma e do programa co-financiado pelo Fundo
Social Europeu.
Quem inventa, autoriza e tenta executar um programa de formação no valor de 1,2 milhões de euros para funcionários de aeródromos perdidos no meio do nada tem de assumir a sua quota de responsabilidade na "irresponsabilidade" que faz hoje os portugueses terem de "pagar tantos impostos".
É hoje claro que Passos Coelho e Relvas trabalharam juntos para que a empresa à que o actual primeiro-ministro esteve ligado vários anos encaixasse como uma luva num protocolo assinado em 2004 por dois membros do Governo social-democrata apenas 17 dias antes, dando enquadramento legal a uma ideia que se resumia a isto: inventar uma forma de fazer dinheiro com base numa necessidade artificial, numa "premência" que não existia, num "problema" que Portugal não tinha - tão forçada era a ideia que nenhuma câmara municipal mostrou interesse. Passos e Relvas queriam formar mil pessoas para aeródromos que estavam fechados, que eram pistas perdidas ou que tinham um ou mesmo nenhum funcionário.
Não é sequer preciso especular sobre supostas teias de favores entre ex-amigos da Jota social-democrata. Não é necessário procurar na possibilidade de um crime a expiação para o que aconteceu. O que aconteceu fala por si. O que aconteceu é que o actual primeiro-ministro e o seu ministro Miguel Relvas foram parte activa num negócio que, à sua escala, também ajudou ao drama actual.’
- { Blog Câmara Corporativa }

Sem comentários:
Enviar um comentário