
O PCP lamenta a morte de Kim Jong-il mas não aceita participar num voto de pesar pela morte de Vaclav Havel. O ódio dos comunistas portugueses à democracia é absoluto, é ontológico. Tem por isso muito interesse ver o papel do PCP no desgaste do anterior Governo, tendo dado directo apoio ao PSD e CDS para que esta direita tomasse todo o poder. Ninguém melhor do que os fanáticos do marxismo-leninismo sabe que não há coincidências em política, só alianças e confrontos. E na era Sócrates as alianças dos reaccionários de direita com os reaccionários de esquerda eram celebradas tanto no Parlamento como no espaço público. Por exemplo, Bagão Félix chegou a promover a ideia de um psicadélico Governo PSD-CDS-PCP. Os 30 tarecos que se vestiram de branco para estarem durante a hora de almoço frente à Assembleia da República, a patética nano-manifestação “Todos pela liberdade”, vinham dos extremos ideológicos, misturando fachos reciclados com estalinistas freelancer. E quando Relvas junta na sua equipa João Gonçalves com António Figueira, sob a bênção do sectário Pedro Correia, não estamos perante um entusiasmo multiculturalista, estamos é a constatar a actualidade do velhinho adágio de que os iguais se atraem. No caso, iguais na soberba decadente.
O PCP só continua a existir porque controla os sindicatos, não por ser incansável a repetir as cassetes evangélicas. É até elogiado por esse serviço policial pelos patrões, qual autoridade institucional que garante manifestações ordeiras e negociações onde algo sempre se conquista para que tudo fique na mesma. Mas como é que os bravos revolucionários conseguem racionalizar o seu permanente boicote ao regime e a perseguição ao PS, de tal maneira que preferem aliar-se aos supostos arqui-inimigos a negociar com a esquerda democrática? A resposta deu-a recentemente Jorge Messias, quando num momento de rara descontracção publicou a fantástica visão da realidade que os comunistas portugueses partilham entre si quando entram na Soeiro Pereira Gomes e, finalmente, se sentem a salvo dos males do mundo, lá conseguindo falar em voz alta sem ser no código da clandestinidade:
A rede conspirativa que se vai instalando na terra tem claramente origem em formações capitalistas proclamadamente religiosas. Basta olhar-se para o esquema organizativo que vai chegando ao conhecimento público para nele se reconhecer a mãozinha sinuosa dos jesuítas e dos illuminati maçónicos.
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Há políticas altamente complexas, como as que intervêm na crise financeira internacional, no terrorismo, nas área do gás e do petróleo, etc., que necessariamente estão a ser já coordenadas por um único governo oculto.
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Dá-se como certo que na base deste tenebroso programa final figuram os sionistas, o Vaticano e a Maçonaria. Nada custa a crer que assim seja: o plano actual da Nova Era tem as marcas do «Apocalipse», das ambições planetárias ilimitadas dos grandes estados ocidentais, das alfurjas das caves do Vaticano e da Maçonaria e das tenebrosas ordens secretas, laicas ou religiosas.
Caro António,
ResponderEliminarComo muito do resto, o PCP é, hélas, o que o nosso país fez (ou não fez) para o merecer!
Abraço