quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Tu

Maria Teresa Horta




Com esse teu ar
de arcanjo negro
pálido e magro
... triste e alheado
ficas por vezes quase etéreo
calado
enquanto eu te olho docemente
Num espanto condenado
quase místico
debruço-me secreta à tua beira
e numa espécie de prece
porque existes
alheado - magro
belo e triste
estou de joelhos
meu amor
e beijo-te



in Candelabro, 1964, in Antologia Pessoal, 100 Poemas, Gótica, 2003

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