segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quem morde o isco das sucessivas mentiras?

Penélope, Blog Aspirina B




A catadupa de mentiras, antes, muito antes, e durante o processo eleitoral, que levou o actual governo ao poder e com que, já em funções, prossegue para sustentar a sua actuação não poderá continuar por muito mais tempo. A menos que dêem um golpe de Estado ainda mais clássico, que implique censura a jornalistas e televisões, vai-lhes ser difícil prolongar a farsa, esperando não serem desmascarados. E, mesmo assim, como tentam!
Tardiamente do ponto de vista político e a uma hora de pouca audiência, na sexta-feira à tarde, foi o ex-secretário de Estado das Finanças, Emanuel Santos, finalmente convidado pela RTP Informação para esclarecer o “buraco” de mais de 3000 milhões alegadamente da responsabilidade do anterior governo e com que o actual primeiro-ministro justificou as novas medidas de austeridade. Com legítima indignação, Emanuel Santos repõe a verdade.
Pouco tempo depois, o vídeo não só percorreu os blogues de esquerda como ficou disponível no YouTube. É que a Internet substitui-se rapidamente à “nobreza” do horário das televisões quando as coisas que lá se passam interessam. Apesar disso, entre as19h00 e as 22h00, o espaço das televisões está predominantemente reservado aos Joões Duques, Barretos, Gomes Ferreiras, Miras Amarais e Medinas da nossa praça, os quais são convidados a pronunciar-se mais em cima dos acontecimentos para deixarem uma primeira impressão na opinião pública. Técnicas.
Note-se a forma escandalosa e despudorada como Passos adiantou aos jornalistas que entretinham os telespectadores nos minutos que antecederam a sua comunicação ao país que haveria um novo desvio de 3000 milhões nas contas públicas. E a forma como os jornalistas caíram que nem patinhos. Engoliram o isco, o anzol e a cana! Nem esperaram para confirmar de que desvio se trataria. A insinuação em relação ao anterior governo começou de imediato, ainda nem o discurso tinha começado. A ideia ficou, evidentemente, a pairar sobre todo o discurso, tornando as violentas medidas “compreensíveis” e, mais uma vez, lançando o ónus e o descrédito sobre o governo anterior. Chegado o discurso, nem uma palavra sobre a Madeira. Zero. O principal responsável pelo agravamento da dívida e do défice, o mentiroso-mor e distinto militante do PSD, está, para este governo, completamente “limpo”. Ganhou as eleições e não se fala mais nisso, ou melhor, não se fala mais nele. De tal maneira que ninguém sabe de que modo essas dívidas astronómicas se vão repercutir nas contas e nos orçamentos!
Não sei até que ponto a revolta e os desmentidos posteriores de pessoas autorizadas têm efeitos esclarecedores na opinião pública sobre o calibre desta gente. Está à vista que há aqui uma guerra a travar. Enquanto puderem, vão usar esta estratégia. Quando começarem a não poder, reforçam o ataque passando à fase em que exigem o julgamento dos “responsáveis” pelo estado do país, sabendo nós a quem se referem. Essa fase parece já ter começado. E é perigosa. Mais uma razão para que houvesse uma liderança da oposição determinada e combativa da parte do principal partido. Por enquanto, não há.
Que a situação do país é péssima ninguém tem dúvidas. Que esta cambada chegou ao poder pela via do embuste e desprezando completamente o interesse do país, cada vez mais pessoas percebem. Desculparem-se eternamente com a situação herdada tem os dias contados. Devido à crise externa, o anterior governo viu-se obrigado a aumentar a dívida e o défice, que até 2008 estava a conseguir controlar. Quando começou a pressão sobre a dívida soberana começou a cortar a despesa, sempre com a resistência ou a oposição dos restantes partidos, PSD incluído e à cabeça. A precipitação do derrube do governo só agravou as coisas.
Seria melhor que parassem de mentir e que não varressem o Alberto João para debaixo de um tapete – persa – caro para nós e conveniente para ele. Já alguém ouviu do ministro Gaspar alguma coisa que se relacione com austeridade agravada para os madeirenses? Eu não.

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