terça-feira, 4 de outubro de 2011

9 Poemetos

Paulo Leminski




I


É quando a vida vase


É quando como quase.


Ou não, quem sabe.




II


Vim pelo caminho difícil,


a linha que nunca termina,


a linha bate na pedra,


a palavra quebra uma esquina,


mínima linha vazia,


a linha, uma vida inteira,


palavra, palavra minha.




III


O paulo leminski


é um cachorro louco


que deve ser morto


a pau a pedra


a fogo a pique


senão é bem capaz


o filhadaputa


de fazer chover


em nosso piquenique




IV


Manchete


Chutes de poeta


Não levam perigo à meta




V apagar-me


diluir-me


desmanchar-me


até que depois


de mim


de nós


de tudo


não reste mais


que o charme




VI


uma carta uma brasa através


por dentro do texto


nuvem cheia da minha chuva


cruza o deserto por mim


a montanha caminha


o mar ente os dois


uma sílaba um soluço


um sim um não um ai


sinais dizendo nós


quando não estamos mais




VII


Pariso


Novayorquizo


moscoviteio


sem sair do bar


só não levanto e vou embora


porque tem países


que eu nem chego a madagascar




VIII


nunca quis ser freguês distinto


pedindo isso e aquilo


vinho tinto


vinho tinto


obrigado


hasta la vista


queria entrar


com os dois pés


no peito dos porteiros


dizendo pro espelho


- cala a boca


e pro relógio


abaixo os ponteiros




IX


nem toda hora


é obra


nem toda obra


é prima


algumas são mães


outras irmãs


algumas


clima




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