domingo, 4 de setembro de 2011

Nunca se tinha visto, um Primeiro-Ministro incendiário

Valupi, Blog Aspirina B


Passos Coelho deixou ainda um aviso a «quem se entusiasme muito com as redes sociais e com o que vêem lá fora esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal», muito embora tenha lembrando a existência de direitos da população.


«Em Portugal, há direito de manifestação e à greve, direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido o consenso alargado em Portugal. Não confundiremos o exercício dessas liberdades com os que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal», concluiu.



Estas declarações são alarmantes. Alarmantes porque têm sido repetidas em diferentes ocasiões e o Governo tem apenas 10 semanas, estabelecendo um padrão. Alarmantes porque revelam uma surpreendente fobia e fragilidade no exercício da autoridade do Estado. Alarmantes porque o seu efeito é exactamente o oposto do aparente sentido da mensagem. Alarmantes porque foram proferidas pelo Primeiro-Ministro, assim escalando a sua importância e atrofiando a autoridade do Ministro da Administração Interna e seus Secretários. Alarmantes porque causam alarme social. Alarmantes porque Passos tem mais de 20 anos de actividade política constante, não podendo reclamar inexperiência.

Tirando a forte hipótese de estarmos perante mais uma prova da incompetência do indivíduo e de quem o aconselha, como vimos ao longo do processo que levou à crise política e durante a campanha eleitoral, a única explicação lógica para se estar a despejar gasolina na rua é a de que tais convulsões sejam desejadas pelo Governo. De facto, tal permitiria assustar o eleitorado da direita, oferecendo um inimigo comum que amansaria a ala Cavaquista e promoveria a unidade à volta do Governo. Nada como uns 20 ou 30 taralhoucos a partir montras na Baixa para o Governo ficar com um escudo protector para as suas políticas.

É de esperar que os imbecis mordam o isco. Eles têm sido de uma fidelidade canina aos propósitos e estratégias desta miserável direita, até entrariam em ressaca se não pudessem continuar a ajudar os seus aliados.

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