domingo, 4 de setembro de 2011

Tarde com sol

Nuno Júdice




As coisas simples dizem-se depressa;
tão depressa, que nem conseguimos que as ouçam.
As coisas simples murmuram-se;
Um murmúrio tão baixo, que não chega aos ouvidos de ninguém.
As coisas simples escorrem pela prateleira da loja;
Tão ao de leve, que ninguém as compra.
As coisas simples flutuam como vento;
Tão alto, que não se vêm.
São assim as coisas simples:
tão simples como o sol que bate nos teus olhos, para que os feches,
e as coisas simples passem como sombra sobre as tuas pálpebras.



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