domingo, 25 de setembro de 2011

Prendam lá o homem para dar algum descanso ao Correio da Manhã

Blog Aspirina B


Câmara Corporativa: Nota sobre um Correio da Manhã: Um exemplo actual de que a ‘Truth itself becomes suspicious by being put into that polluted vehicle.’ (T. Jefferson, Political Writings , p....






Três meses após Sócrates ter saído de São Bento, o Correio da Manha continua a conseguir fazer a média de uma manchete por semana com o seu nome.
Muito significativo é que nenhuma dessas manchetes tem, à luz dos mais básicos princípios da actividade jornalística, qualquer interesse público. Trata-se, ora de puras repetições, ora de construções rebuscadas sem qualquer sustentação na realidade.
Isso pouco importa. O Correio da Manha aplica a Sócrates a bitola que utiliza em todas as matérias que noticia. Isso diz mais sobre a vil tristeza do nosso espaço público (e as infinitas possibilidades da sua manipulação...) do que sobre Sócrates ou o Correio da Manha.
O que o Correio da Manha tem feito com Sócrates é do domínio da ilegitimidade, quando não da mais pura ilegalidade. É, por isso, chocante assistir ao silêncio cobarde de uma série de gente, sejam os pares da chamada comunicação social, sejam os actores políticos, os reguladores, enfim, o sistema judicial (e esta última parece uma piada, não é?).
O Correio da Manha - os seus autores e os seus proprietários - desenvolvem uma campanha negra contra Sócrates, cujas razões ultrapassam - têm de ultrapassar - o mero interesse jornalístico.
O facto de essa campanha se prolongar no pós-Sócrates não é, ao contrário do que se poderia supor, um mero gesto vingativo. Tem um alcance mais longo. É também um aviso à navegação, aos novos poderes: "percebem até onde podemos ir quando queremos alguma coisa?".
E é também nesse contexto - o de clara pressão, condicionamento, chantagem - sobre os órgãos legítimos da democracia que ainda menos se entende a complacência, o silêncio (e até o apoio tácito) do novo poder. Ou talvez não.

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