terça-feira, 6 de setembro de 2011

Comentadores

Penélope, Blog Asspirina B


Agora que o governo patina, dando um trambolhão a cada duas piruetas, tendo já perdido a nota artística, os comentadores televisivos do PSD entenderam já ser tempo de mandar às malvas o princípio de não atribuir culpas ao governo anterior e de recomeçarem os ataques, agora em retroactividade (inclusive ad hominem).

As frases preferidas são já conhecidas: “Sócrates levou o país à bancarrota!” e “O estado em que o governo anterior deixou o país”, ou ainda “A dívida astronómica que herdámos” (Marcelo, Mota Pinto, José Eduardo Martins são alguns dos que ouvi estes dias). A cada três frases, lá metem o estribilho. Se dúvidas houvesse, esta é mais uma prova de que as coisas não lhes correm de feição, pelo que abandonaram as luvas e regressam, com algum prazer, diga-se, à técnica mais rústica.
A esses charlatões tenho apenas a dizer o seguinte: o governo anterior tinha sido o primeiro em décadas a baixar o défice para 2,8% do PIB. A redução da dívida seguir-se-ia, a par da redução da despesa e do aumento da actividade económica, como aliás se estava a verificar. Ninguém no governo andou a enriquecer à pala do endividamento. A crise de 2008, que levou inúmeras empresas a fechar por falta de encomendas, lançando milhares de trabalhadores no desemprego, obrigou a aumentar a dívida pública, sim senhor, e o défice, pois claro, como aliás em todos os países europeus, devido ao reforço dos apoios sociais e aos estímulos às empresas (lembram-se ou não?). A Parque Escolar foi mais uma das iniciativas para dinamizar a economia, com benefícios óbvios para os cidadãos.
Esta é a primeira parte.
Na segunda parte entram vocês, os grandes responsáveis pela espiral que nos levou ao precipício: Finais de 2009, eleições. Por razões que se prenderam com o desemprego e sobretudo as sucessivas campanhas de intoxicação da opinião pública, as calúnias e os ataques de carácter por vós perpetrados, Sócrates não obteve maioria absoluta. Para o exterior, a falta de uma maioria e de acordo político transmitia sinais de instabilidade. Juros começaram a subir perigosamente. O PSD, já com Passos e Relvas, salivava a cada subida (era, porém, preciso esperar até o Cavaco ser eleito). Na Assembleia, confirmavam-se os receios de instabilidade: todas as medidas de contenção da despesa – em matérias tão distintas como o ensino (carreira docente), as transferências para a Madeira, o aumento do IVA para produtos não essenciais como os refrigerantes e o leite achocolatado, etc., etc., etc. – contaram sistematicamente com obstáculos quando não mesmo com o bloqueio de vossas mercês e dos comparsas da extrema esquerda. Ainda este ano, o vosso avô amigo apregoava que “havia limites para o que o comum dos cidadãos pode suportar”. E agora têm a distinta lata de andar a dizer que o anterior governo não quis cortar nas despesas e que deixou descontrolar a dívida? Pois o certo é que, apesar da guerra movida, a despesa estava mesmo a baixar consideravelmente no primeiro semestre deste ano! A partir de agora é tudo a piorar!
Basta de mentiras. Afinal não foi o vosso ministro Gaspar que reconheceu, há dias, em entrevista, que o grosso dos cortes na despesa constava do orçamento de 2011? O exasperante disto tudo não é o Gaspar, pobre diabo – tem a sua visão do mundo a partir de bibliotecas e de uma poltrona dourada, que esperará por ele – é os jornalistas no estúdio nem ousarem interromper com o óbvio quem tão javardamente assim fala.

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