terça-feira, 14 de junho de 2011

Tarde com sol - Nuno Júdice



As coisas simples dizem-se depressa ; tão depressa

que nem conseguimos que as ouçam. As coisas

simples murmuram-se; um murmúrio

tão baixo que não chega aos ouvidos de ninguém.

As coisas simples escorrem pela prateleira

da loja; tão ao de leve que ninguém

as compra. As coisas simples flutuam com

o vento; tão alto, que não se vêm.



São assim as coisas simples: tão simples

como o sol que bate nos teus olhos, para

que os feches, e as coisas simples passem

como sombra sobre as tuas pálpebras.

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