
{Pudera}
Eduardo Pitta
Blog Da Literatura

O economista João Salgueiro, subsecretário de Estado do Planeamento num governo de Marcelo Caetano (1969-71) e ministro de Estado e das Finanças no governo Balsemão (1981-83), descobriu a roda: Pedro Passos Coelho tem a «preocupação genuína de não facilitar para chegar ao poder...» É mesmo?
Sejamos claros. O actual líder do PSD não facilita porque não pode. O PSD dos Relvas e dos Marcos não tem condições para governar Portugal. Imagino o susto em Bruxelas ao ver chegar tais criaturas: o equivalente a ver entrar o rei da sucata no Club Portuense...
O dilema de Passos é outro. Ou faz o governo dos Marretas (aquilo de que dispõe hoje), ou cede aos iluminados do Tremendismo: Manuela Ferreira Leite, Medina Carreira, Eduardo Catroga, Daniel Bessa, Vítor Bento, Luís Campos e Cunha, António Capucho, Rui Rio, Bagão Félix, António Nogueira Leite, Nuno Crato, Miguel Anacoreta Correia, etc. A direita tem gente. Mas não frequenta a São Caetano. Nem está disposta a discutir de igual para igual com os Marcos e os Relvas da intendência. Desatar esse nó — sobretudo se, em novas eleições, o PSD não obtiver maioria absoluta — não é fácil. O PSD corporativo seria ignorado com desdém em Bruxelas. O PSD alargado (solução que agradaria a Cavaco) daria o tiro de partida da Jihad pê-ésse-dê.
Por isso, Passos vai ter toda a paciência do mundo. Na actual conjuntura política, Massamá é uma espécie de off-Broadway... O pior que lhe podia acontecer era ter de dar um passo em frente.
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