segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A canção - Mário Quintana


Era a flor da morte
E era uma canção…
Tão linda que só se poderia ler dançando.
E que nada dizia
Em sua graça ingênua

Dos subterrâneos êxtases e horrores em que estavam mergulhadas as suas raízes…
Mas estava fragilmente pintada sobre o véu do silêncio
Onde a morte jazia com os seus cabelos esparsos
Com os seus dedos sem anéis
Com os seus lábios imóveis

E que talvez houvessem desaprendido para sempre até as sílabas com que outrora pronunciavam meu nome…
Onde a morta jazia, na sua misteriosa ingratidão!
Era uma pobre canção,
Ingênua e frágil,
Que nada dizia…

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