
para Paulo Fichtner
Ali naquela porta parado aponta fio que leva
pulso de boca aberta dentes frisos alerta
abre a palma da porta a mão fino revela
pode com força parar o gesto a crosta a quimera
Não há um úmido único lugar que separe o fio da navalha
Ainda que não entre já foi risco correndo na fresta
o olho pisca farol pequenos jogos de memória
a cinta irrompe ar com volúpia beijando flores
cabelo inerte de pé trazendo ácidos odores
Simples e necessário rasgar a roupa do dia
Além só existe o músculo livre safo encontro
parir a pane do mesmo rompendo placa parte parada
no movimento mergulha guerrilha fronte fio brilha
o laço existe para cortar o que corta e o que é cortado
Desato fino fluído escorro fátuo fio
Porta agora fecha série que segue
corpo ainda tecido ata caminho na pele
desenho vivaz fulgura no tempo instante que é
corpo cinge rasura ataca mistura campo de tudo emerge
A sina é vida de pele tecido no tempo
a porta cede sede aberta
Ericson Pires nasceu no Rio de Janeiro. É poeta, performer. Fundador do Grupo Hapax, também é editor da Revista Global Brasil e militante da Rede Universidade Nômade. Doutor em Estudos de Literatura pela Puc-Rio é Professor Adjunto do Instituto de Artes da UERJ e participa do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) da ECO-UFRJ. Publicou Cinema Garganta, em 2002; Cidade Ocupada, 2007 e acaba de publicar Pele Tecido
[Blog do Noblat]
Boa tarde, António!
ResponderEliminarGosto muito desse escritor e poeta carioca.
deixo pra ti os versos abaixo.
(...)
É preciso inventar aquilo que já existe sem nunca esperar
que aquilo termine um dia
É preciso aventurar-se naquilo que é teu silêncio redivivo a
aventura de inventar o dia
É preciso não descansar enquanto a fala não terminar. É
preciso não terminar a fala
Esquivar do silêncio é perceber-se como silêncio inventado
Falar é inventar o silêncio novo
Tecer-se na fala os silêncios
no silêncio as falas
Tecer-se fio de fala som
silêncio de fala tecida
Ericson Pires
beijo