quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Soneto II - Álvares de Azevedo


Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divisão se erguia
Apenas entre nós - e eu vivia
No doce alento dessa virgem bela...

Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
Música mais do céu, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!

Como era doce aquele seio arfando!
Nos lábios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!

Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
É sentir todo o seio palpitando...
Cheio de amores! E dormir solteiro!



Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de setembro de 1831- Rio de Janeiro, 25 de abril de 1852) - Além de poeta, foi contista, ensaísta e dramaturgo. Ligado à segunda geração do romantismo, é patrono da cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras [Blog do Noblat]

2 comentários:

  1. Oi António!
    Tudo perfieto....imagem e poesias.
    (...)
    Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
    É sentir todo o seio palpitando...
    Cheio de amores! E dormir solteiro!

    Lindo!
    Bjs

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  2. António, voltei pra te dizer que vou levar essa imagem comigo.
    Gostei demais.
    beijo

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