sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Por que no te calas?

por Paulo Moreira Leite, Época


A incontinencia oratória do presidente Lula já causou espanto junto a uma fatia do eleitorado e produziu prejuízos indiscutíveis até na campanha de Dilma Rousseff. Uma fatia do PT está convencida de que suas críticas incendiárias à imprensa contribuíram para alimentar a fogueira que levou ao segundo turno.

Lula é um grande político e um grande orador, mestre da comunicação popular. Foi alvo de críticas superficiais e preconceituosas no início de seu governo. Tem todo direito de rir de adversários que se mostraram incapazes de interpretar o universo cultural e político da maioria dos brasileiros e consumiram toneladas de papel em críticas vazias e até pedantes.

Mas o presidente não precisa frequentar a mídia como um comentarista arroz de festa, pronto a falar de qualquer assunto, sempre que surge a oportunidade de fazer uma crítica a oposição.

Os comentários sobre o conflito entre militantes do PT e do PSDB em Campo Grande, ontem, deixaram claro que o presidente abusou de comparações desnecessárias e fez ironias sem que se tivesse, naquele momento, um conhecimento completo dos fatos.

Até por uma questão de liturgia, ele tem o dever de mostrar-se preocupado com o candidato de oposição e seus direitos de fazer sua pregação pelo país, deixando para os aliados em campanha a tarefa de fazer críticas e denúncias, quando for o caso.

Como presidente da República, Lula tem a obrigação de olhar para o conjunto do país e de defender o interesse de todos os brasileiros que, a poucos dias do segundo turno presidencial, preparam-se para escolher quem irá assumir o governo pelos próximos quatro anos.




-----




Sem comentários:

Enviar um comentário