
A portuguesa torna-se a quarta pintora a receber o título.
A pintora portuguesa Paula Rego recebeu ontem a Ordem do Império Britânico com o grau de Dama Oficial pela sua contribuição para as artes. No Palácio de Buckingham, Paula Rego considerou a distinção, que a tornou na quarta pintora a receber o grau de Dama, "uma experiência maravilhosa".
Na cerimónia de investidura, que acontece quatro meses após um primeiro anúncio (a 12 de Junho), para assinalar o aniversário da Rainha Isabel II (que, por seu turno, se comemora a 21 de Abril), a pintora portuguesa considerou o grau de Dama Oficial como "um grande reconhecimento", mas ressalvou: "Também é bom conseguir vender as obras - demorei tantos anos até conseguir fazê-lo", disse, citada pela Press Association.
"A curiosidade faz-me continuar, para ver o que posso fazer e tento sempre fazer algo diferente, para que não se torne num estilo de arte. Eu tento sempre fazer melhor, tento sempre fazer melhores desenhos e melhores imagens - desenhar muito, é isso que eu gosto mesmo de fazer".
Paula Rego torna-se assim a quarta pintora a ter recebido este título, juntando-se assim a Laura Knight (1929), Ethel Walker (1943) e Elizabeth Blackadder (2003).
Quando, em Junho, foi anunciada a sua investidura como Dama Oficial do Reino Unido, a feminista e cronista Germaine Greer, autora de "A Mulher Eunuco", escreveu no "Guardian" que "uma monarca que nunca comprou uma obra de um artista vivo dignou-se a infligir a Paula Rego o título obviamente ridículo de Dama Oficial da Ordem do Império Britânico". Criticando a natureza do título, manifestou: "Gostaria que ela tivesse recusado o estúpido [título], satisfeita com o nome sem adornos que tornou célebre e respeitado no mundo artístico".
Paula Rego nasceu em 1935, em Lisboa e em 1954 mudou-se para Londres, onde frequentou a Slade School of Art. Casada com um inglês, permaneceu em Inglaterra, onde fixou residência, desde 1976. Em Portugal tem hoje o museu Casa das Histórias em seu nome, em Cascais.
O seu nível de reconhecimento mundial torna-o num dos nomes das artes portuguesas mais proeminentes da actualidade, estando as suas obras em colecções instituicionais como a da Tate e famosas como as de Charles Saatchi ou de celebridades como Madonna.
:::Público
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