sábado, 30 de outubro de 2010

Big News





Os finados, por Anselmo Borges; Isto iria melhor sem truques, por Ferreira Fernandes; As roturas inultrapassáveis, por por J.M. Nobre-Correia; Câmara Corporativa: Cavaco visto pela direita: "‘(…) [Cavaco] Voltou agora, como sempre fez desde o princípio, com um extravagante elogio da sua pessoa. A acreditar nele, as virtudes que o..."


:::por Eduardo Pitta
É hoje assinado, parece que daqui a pouco, o acordo a que chegaram governo e PSD. Passos Coelho aceita a subida do IVA para 23%, aceita o valor proposto pelo governo para a taxa social única, e faz de conta que acredita no fim das parcerias público-privadas. Por seu turno, o governo aceita que o corte das deduções fiscais (na educação, saúde, habitação) se faça nos 7.º e 8.º escalão do IRS. Uma cedência e tanto: a medida, que era suposto afectar 1,6 milhões de agregados familiares, apenas afectará cerca de 50 mil. Cinquenta mil... Na parte que me toca, agradeço. A ver vamos quanto tempo dura a doce ilusão.

Tudo isto mudará antes do próximo Verão. Seja por imposição de Bruxelas, seja porque eleições antecipadas dêem origem a novo governo. Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas.

Uma coisa o país não entende. Teixeira dos Santos, em nome do governo, e Eduardo Catroga, em nome do PSD, vão assinar um acordo para que o PSD se abstenha na próxima quarta-feira? O PSD andou um mês a instabilizar mercados e credores, a bramar contra a subida de impostos, a negociar frioleiras, a exigir tudo e o seu contrário, por causa de uma abstenção que lhe seria imposta fosse qual fosse a sua vontade? Acaso julga o PSD que o eleitorado o exonera de responsabilidade? Para o bem e para o mal, mais mal que bem, o OE 2011 é o OE do PS e do PSD. Como diz (e bem) o Filipe Nunes Vicente, Passos Coelho ganhou a co-autoria do documento.


::: Vasco Pulido Valente, Duas sondagens, hoje no Público. Excertos:


«Parece que dentro de pouco tempo a incompetência e a corrupção do PSD vai substituir a incompetência e a corrupção do PS. Mas, nem com a maior boa vontade, se consegue ver qualquer vantagem nisso. [...] O PSD não passa de um recurso (de um mau recurso) para preencher o vácuo que o PS deixou (ou vai deixar). [...] Do dr. Cavaco não vale a pena falar. Mas do PSD, que anda por aí a fingir que é ordeiro e doce, vale a pena dizer que por baixo dessa mansidão continua a guerra civil do costume. Se o longo exílio da oposição impôs finalmente algum bom senso aos patrões do partido, não os regenerou; e, se ganharem em 2011, tratarão o Estado como trataram o PSD, isto é, como coisa sua. O regime, tal como existe, chegou ao fim.»

[Blog Da Literatura]

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