
Diário de Notícias
- editorial
Contenção na despesa pública para travar o défice (que referiu dez vezes durante o discurso) e medidas para criar emprego (palavra que usou 23 vezes) foram as ideias-chave do primeiro discurso sobre o estado da União de Barack Obama. Ao fim de um ano no poder, chegou o momento de o Presidente dos Estados Unidos fazer a análise do que correu bem e do que correu mal.
E se, a nível externo, o primeiro negro na Casa Branca pode reivindicar alguns sucessos no Iraque e no Afeganistão, um pequeno avanço na Cimeira de Copenhaga sobre o clima e até o ter sido escolhido para Nobel da Paz em 2009, a nível interno as coisas não lhe estão a correr tão bem. Com a popularidade a cair para os 50% muito devido à impopular reforma da saúde, sem qualquer solidariedade dos republicanos e com o seu Partido Democrata (Massachusetts foi só o último caso) a ser penalizado sempre que os americanos vão às urnas, Obama centrou o discurso sobre o estado da União nas questões internas. Os poucos parágrafos que dedicou à guerra ao terrorismo (só usou a palavra "guerra" quatro vezes) contrastam com os discursos do seu antecessor, George W. Bush.
Com este discurso à Nação, Obama trocou a retórica do sonhador pelo pragmatismo. Prova de que o Presidente percebeu que, mais do que agradar ao mundo, terá de convencer os americanos. Afinal, são eles que votam. Já em Novembro, nas eleições para o Congresso.
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